Aqui começa a verdadeira diversão: Quando as pessoas estão em plena posse de si mesmas, quando sabem realmente o que são, e são quem são. Só assim podem verdadeiramente se abrir para outras pessoas.
Quando você deixa de tentar tirar das pessoas o que elas não podem lhe dar, começa a aproveitar o que podem lhe oferecer.
As pessoas podem compartilhar mundos inteiros umas com as outras, mas primeiro tem que ter acesso a seus próprios mundos.

“Ele pode estar olhando tuas fotos neste exato momento. Por que não? Passou-se muito tempo, detalhes se perderam. E daí? Pode ser que ele faça as mesmas coisas que você faz escondida, sem deixar rastro nem pistas. Talvez, ele passa a mão na barba mal feita e sinta saudade do quanto você gostava disso. Ou percorra trajetos que eram teus, na tentativa de não deixar que você se disperse das lembranças. As boas. Por escolha ou fatalidade, pouco importa, ele pode pensar em você. Todos os dias. E, ainda assim, preferir o silêncio. Ele pode reler teus bilhetes, procurar o teu cheiro em outros cheiros. Ele pode ouvir as tuas músicas, procurar a tua voz em outras vozes. Quem nos faz falta, acerta o coração como um vento súbito que entra pela janela aberta. Não há escape. Talvez, ele perceba que você faz falta e diferença, de alguma forma, numa noite fria. Você não sabe. Ele pode ser o cara com quem passará aquele tão sonhado verão em Paris. Talvez, ele volte. Ou não.”

— Caio Fernando Abreu.

3 da manhã e chega uma nova mensagem: “Tá se cuidando como eu pedi? Tô com saudade, lembra sempre de mim”. E não consegui dormir, só lendo, relendo e sentindo que você tava me cuidando, mesmo aí de longe, mas com o coração aqui, comigo.